minha memória
lembranças, ficções, sonhos


É exatamente esta
a finalidade deste blog: ser minha memória. Porque tem muita coisa que eu já esqueci e tem outras tantas que eu não quero esquecer.


meg,
(assim falei, em agosto de 2003)
mineira de nascimento, carioca de coração, uai.
Aos cinco anos, a família deixou o sul de Minas e
foi para o interior do Rio; pensei (disso eu lembro): “Morar no rio?.. vamos
viver num barco, comer
só peixe e pular no
rio para tomar banho...”
Não achei ruim, não!
A infância foi na roça;
a partir dos 15 anos na cidade grande. Da casa para a escola, da escola para a casa, da casa para
a faculdade, da faculdade para o trabalho, e casa. Em 10/10/1999 (disso também lembro, ainda mais que é um dia antes do aniversário da minha irmã), recebi-retribuí o primeiro beijo na boca. E sou de 76! (Escorpiana, Dragão)

É.. em pleno século 21 ainda existe gente como eu e, não, não sou extraterrestre. Por conseqüência daquele beijo, em julho de 2001,
fiz as malas e fui morar em terra estrangeira. Estava indo “casar”, mas o “casamento” durou só 1 mês e meio. Mesmo assim fiquei lá por 1 ano e vivi os Dias Mais Felizes da Minha Vida,
até agora.
Às vezes preguiçosa, mas não tenho preguiça quando há paixão.
Minha esperança, em mim, no Brasil, na humanidade, é a última que morre, apesar de tudo.



. . . . . . . .


não sou poeta.
posso escrever com poesia,
mas não sou poeta.

. . . . . . . .
orkut


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Caro Leitor,
Se você perceber
algum erro de português
ou de digitação, por favor, me avise. Obrigada.





Quinta-feira, Novembro 24, 2005
com você

com você a vida era boa
os problemas eram mais leves
as comidas mais soborosas
as músicas mais bonitas
os passeios muito mais divertidos
os sábados mais sábados!

os sorrisos eram constantes
os olhos brilhantes
os labios com a saudável aparência
de lábios que foram beijados

o corpo? ...ahh
era corpo de mulher feliz
andar de mulher feliz
dança de mulher feliz
luz de mulher feliz!

com você
a vida era boa

por meg às 02:04

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Segunda-feira, Novembro 21, 2005
só porque eu mereço.

por meg às 01:26

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Quarta-feira, Novembro 16, 2005
Moços e moças, meninos e meninas, homens e mulheres, moços e meninas, moças e meninos, meninas e homens, meninos e mulheres, homens e moças, mulheres e moços.
Sem contar outras possibilidades; considerando apenas o conjunto do qual pertenço, amorosamente.
Mas agora, e há tempos, estou isolada no "conjunto do eu sozinha". Vejo as combinações dos outros elementos. Algumas delas acontecem em velocidade acelerada: união relâmpago, separação na curva seguinte. Outras são felizes; adoravelmente felizes! ou, insuportavelmente, felizes.
Para mim, ao contrário, a vida ficou em câmera lenta.

por meg às 01:12

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Sexta-feira, Novembro 11, 2005

Eliana Printes


no Armazém Digital Leblon

olhando para aquela mulher, aparentemente cara de dona-de-casa, pacata, você nem imaginaria o vozeirão!

(qto tempo sem publicar, não é? não estou escrevendo nada mesmo. espero que ainda me reste algum talento pra coisa!)

Os Presentes
"Que presentes te daria
Uma estrela vã do firmamento
Pra iluminar o vão do pensamento
Pra iluminar o vão do pensamento
Uma TV na garantia
Árvores plantadas no cimento
E o meu perfume na rosa dos ventos
E o meu perfume na rosa dos ventos
E o meu perfume na rosa dos ventos
Um novo ritmo
Cartas de amor com frente e verso
E meu percurso nesse universo
E meu percurso nesse universo
E meu percurso nesse universo
Nas horas sem fim
Em que a dor não tem mais cabimento
É no teu prumo que eu me oriento
É no teu prumo que eu me oriento
É no teu prumo que eu me oriento
Catedrais de alvenaria
Senhas pra não mais perder a vez
Casa, comida e um milhão por mês
Casa, comida e um milhão por mês
Casa, comida e um milhão por mês"

por meg às 01:23

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Quarta-feira, Outubro 05, 2005
Dessa vez eu perdi mesmo

Fui assaltada, domingo passado, 2/10/05. E dessa vez o ladrão saiu-se bem sucedido.

Eu lutei c/ o cara (ele não estava armado), mas ele era mais forte que eu e conseguiu arrebentar as alças da minha mochila.
Se eu estivesse c/ uma arma na bolsa p/ me defender (tinha motivos p/ me preocupar c/ minha segurança, mais que o rotineiro nessa cidade, já eu estava no Centro, Av. Pres Vargas, sozinha, domingo 9 horas da noite!), seria mais uma arma que teria ido parar na mão de bandido! tá, arma não se carrega na bolsa, tem que ficar junto ao corpo. mas eram dois rapazes (qdo eu comecei a lutar, chegou um ônibus então o segundo cara fugiu), mais ágeis que eu; desvantagem pra mim.
E mesmo que eu conseguisse ficar c/ a arma o tempo todo sob meu domínio, naquele momento, p/ me defender, eu poderia ter matado o sujeito. ... matar uma pessoa por causa de poucos objetos?... passar o resto da vida lembrando que matei uma pessoa é que seria uma tragédia! (não que eu seja uma alma tão bondosa... até posso gostar de saber que um bandido morreu, mas eu matar, c/ minhas mãos, não é o tipo de responsabilidade que quero carregar). portanto digo...

...... SiM . VOTE 2 .......

* "lutar" pode dar uma noção errada do que realmente aconteceu... :/ na verdade não foi bem uma luta; eu só ofereci alguma resistência. fiquei c/ medo dele me machucar... infelizmente, as duas vezes que tentei acertar o saco do sujeito (primeiro c/ soco, depois joelhada), ele conseguiu se afastar. assim não dá! assim não pode! preciso melhorar meu desempenho!!
tenho que começar a treinar! [agora imaginem eu treinando, c/ a música do Rock: Tam!, Tam-tam-tam!, tam-tam-taaammm!... :]
* e o assaltante deve ter se decepcionado! só tinha um celular barato, um walkman velho, uma sombrinha, uma identidade c/ validade vencida, uma lapiseira e um pacotinho de Club-Social. :P não tinha nem 1 centavo!! nada de dinheiro! eu só estava c/ 3 reais, na calça. bem-feito pra ele! quem mandou roubar pobre! hahaha!

*** Atualizando: mudei de idéia; acho que nossa vida ficaria mais complicada mesmo, se o SiM tivesse vencido.

por meg às 03:12

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Sexta-feira, Agosto 26, 2005
. tempo vida quando?
[copyleft meg 2003]


"Falo pouco pois não sou de dar indiretas
Me arrependo do que digo em frases incertas
Se eu tento ser direto, o medo me ataca
sem poder nada fazer

Sei que tento me vencer e acabar com a mudez
Quando eu chego perto, tudo esqueço e não tenho vez
Me consolo, foi errado o momento, talvez,
Mas na verdade, nada esconde essa minha timidez"

[Biquini Cavadão]


. . . . . .


(MUDANDO DE ASSUNTO - o que segue é completa ficção. crianças, não tentem isso em casa porque, na vida real, a história não seria tão otimista.)

o filho que pariu a mãe

Depois que descobriu que estava grávida do traidor, por tanto desprezar tudo aquilo, parou de comer. Não queria alimentar aquele ser, que ela não via como ser; era o resultado da união de duas células. E ela não queria. Ela não queria. Parou de comer. Emagraceu. Quando a família começou a comentar a magreza, que ela precisava comer direito, saiu de casa e foi para o interior; alugou uma casinha a 150,00 por mês. Como não queria morrer, apenas expulsar aquilo que pretendia crescer dentro dela, bebia água e comia 1 biscoito cream-cracker de manhã e outro à noite. Mas o bicho não saía. Não havia explicação lógica para uma mulher de 1,60m, pesando só 32kg, chegar ao sexto mês de gravidez. Ela socava a barriga para verificar se ele ainda estava vivo, e quando ele se mexia, socava novamente para fazê-lo sair. Numa dessas sessões de soco, ela começa a sentir dores terríveis. Vai para o vaso sanitário e desfalece, sentindo o corpo revirar. Até que num desafogo sente um vácuo dentro de si. Abandona-se arfante por um tempo.

Olha para baixo, por entre as pernas.
Naquela bacia de sangue o bicho está se mexendo.
Parece até mais bem disposto que ela.
Antes que começasse a se sentir culpada, ela dá descarga. Mas o bicho não desce. É muito menor que um feto de 6 meses normal, mas grande demais para descer pelo vaso. Tenta novamente, mas só serve para lavar o sangue e tornar mais visíveis os traços do bebê.

O coração está batendo; ele se mexe; parece que está sofrendo.
É forte o menino; não é qualquer um que passa pelo que ele passou e continua vivo.

Admirada com tanta persistência ela ama o filho retira-o do vaso limpa-o segura-o sobre o peito envolve-se com um roupão e corre para pedir ajuda.

por meg às 02:57

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Quinta-feira, Agosto 18, 2005
Bola de Canhão (Cannonball) - Damien Rice

"Ainda há um pouco do seu gosto na minha boca.
Ainda há um pouco de você enlaçado à minha dúvida.
Ainda é um pouco difícil dizer o que está acontecendo.

Ainda há um pouco do seu fantasma, sua presença.
Ainda há um pouco do seu rosto que eu não beijei.
Você dá um passo um pouco mais próximo cada dia,
Ainda não consigo dizer o que está acontecendo.

Pedras me ensinaram a voar.
O amor me ensinou a mentir. (*)
A vida me ensinou a morrer.
Então não é tão difícil cair
Quando você voa como uma bola de canhão.

Ainda há um pouco da sua música nos meus ouvidos.
Ainda há um pouco das suas palavras que desejo ouvir.
Você dá um passo um pouco mais próximo a mim,
Tão perto que não consigo ver o que está acontecendo.

Pedras me ensinaram a voar.
O amor me ensinou a mentir.
A vida me ensinou a morrer.
Então não é tão difícil cair
Quando você voa como um canhão...

Pedras me ensinaram a voar.
O amor me ensinou a chorar.
Então venha, coragem!
Me ensine a ter medo,
Pois não é difícil cair
E não quero assustá-la.
Não é difícil cair,
E não quero perder.
Não é difícil amadurecer
Quando você sabe que simplesmente não sabe..."


* isso não. o amor não me ensinou a mentir. talvez eu devesse ter aprendido, mas aprendi pouco até agora. não conheço direito as regras desse jogo.
Ainda há muito do seu rosto que eu não beijei. Ainda há muito que eu não sei.

por meg às 02:15

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Terça-feira, Agosto 16, 2005
Duas águas

por meg às 05:06

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Sábado, Agosto 06, 2005
Esta morte está sendo longa demais.
Desde o anúncio mortífero feito por aquela desconhecida, nas horas seguintes verti ao chão o que restava da última vida. O guarda, os pedestres, os estranhos no transporte público, todos sem saberem viram-me morrer. Julgaram tratar-se da morte de um meu ente querido, mas presenciaram meu próprio velório.

Tudo escuro, tudo sombrio, tudo frio. Silêncio ensurdecedor.
Vou furar este caixão, nem que tenha que perder as unhas, os dedos, as mãos!

. . . + . . .


"O inferno são os outros". Logo concluo que
O inferno sou eu.

Quando eu morrer desta vida, será que terei paz? Ou conhecerei, enfim, o verdadeiro inferno?

. . .

Precipícios, abismos, vulcões, exercem sobre mim uma atração incontrolável. Mergulho para a morte, porque só no fundo do inferno terei apoio para voltar ao céu.

. . . . . .

"teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa"

[nalgum lugar - e. e. cummings / tradução em português: Augusto de Campos]

por meg às 06:01

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Sexta-feira, Julho 29, 2005
Domingo

Dia de céu azul, crepúsculo frio e noite calada.
Na ampla sala da biblioteca, com 19 mesas grandes, apenas 2 pessoas: um homem e uma mulher, sentados em mesas colaterais, um de frente para o outro. Alguns domingos atrás eles já haviam se visto. Ela fantasiava: "será que ele está olhando pra mim?"; ele pensava: "será que ela está afim?".

Agora, ela já leu um livro de poesia, outro de uma autora da moderna-literatura-brasileira sobre sexo, drogas e coisas de mulher nova, e está em uma Antologia Poética do Drummmond.

Ele lê um grosso volume de História Política. Perdeu a concentração porque a moça acabou de olhá-lo. "É bonitinha. Os peitos nem grandes nem pequenos, na medida da minha mão. Mesmo com o casaco dá pra ver os biquinhos apontados na roupa. Pra alguma coisa esse ar gelado presta! Vendo-a sentada ali, lendo, de óculos, parece uma intelectual, recatada; sem chance de querer me atrever! Mas quando ela levantou pra ir ao banheiro, vi o vestido justo, mostrando as curvas, as pernas grossas. Nunca pensei que uma intelectual tivesse pernas assim. Lembra as da tia Nelinha, que só usava vestido esvoaçante e rebolava feito uma vaca leiteira".

Ela levanta os olhos novamente e ele disfarça os pensamentos. Ela volta para o livro e seu sorriso denuncia seus devaneios: "e se eu fosse aí te aquecer?".

por meg às 05:04

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Quinta-feira, Julho 28, 2005
(mais juvenil :o)

- Contou pra Ma?
- Contei.
- E o que ela disse?
- Disse que eu estou certa, que devo mesmo aproveitar a vida... mas ela acha que eu vou sentir saudade de carne e pimenta.
- Hã?... Num entendi. O que isso tem a ver com relacionamento?
- Quem gosta de lasanha e chocolate, não agüenta muito tempo só na salada e no frango grelhado, e vice-versa.
- Ah, tá... É.

. . .


Numa noite de sexta-feira, atravessava a rua e ouviu que na pista que ficara para trás alguém derrapou com um skate.
Andando pela calçada ao redor da praça, já havia esquecido do barulho da rua, quando ouve: "Oi meu amor! Você está linda hoje, sabia?".
Não olhou porque podia não ser com ela; aquela voz não pareceu de nenhum conhecido. Até que ele a alcança. É com ela.

Baixo, magro, cabelo curtinho castanho escuro, uma leve barba de 2 dias, bonitinho, camisa preta de malha com mangas compridas, carregando um skate. Isso foi o que ela viu em 1 segundo e meio - o tempo de virar a cabeça para ele e voltar a olhar para o chão, onde seguia caminhando.

- Oi! Você tá linda!... alguém já te disse isso hoje?
- Não - e continua andando.
- Eu sou o primeiro, então? Isso me dá algum mérito? - ele esforça-se para chamar atenção.
- Não - debochada e andando.
- Não?! Mas será que eu posso te conhecer?

Ela continua andando, olhando para baixo, e em silêncio.
Se fosse um filme, pareceria que alguém havia congelado a cena, de tanto que ela demorou a responder. Depois do longo silêncio, com ele seguindo e aguardando uma resposta, ela consegue dizer hesitante:

- Acho que não - sem olhar para ele; sem parar de andar.

- Valeu então! - ele pára de seguí-la, põe o skate no chão e vai embora.

Só aí a timidez a deixa levantar a cabeça.

- Sua besta! Não tem nem convicção pra dizer não: "Acho que não"!... Cantadinha barata, mas ele foi corajoso, e não custava nada ter sido mais simpática! Com esse "Acho que não" ele até poderia ter insistido, mas depois do meu silêncio pavoroso, ele deve ter achado que sou doida! Doida e imbecil! Os anos passam e você não aprende!

por meg às 01:45

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Quarta-feira, Julho 27, 2005
(coisas juvenis)

flash de consciência

só por hoje, quero te amar
só por um dia
desde as primeiras luzes
desde o primeiro pensamento

amar tua camisa surrada
tua cueca furada
tua nuca raspada

vou te amar como você não merece
mas amar como eu mereço

hoje te amo quente
amo-te pra sempre
até o fim do dia

. . .

Inconstante

Oops! Perdão! eu estava enganada
Sabe como é? sou exagerada
Na tristeza e na alegria,
no ódio e no amor.

Mas com você é diferente!
Eu serei tua para sempre!

Amoteamoteamoteamo!
Você é tudo pra mim!
.
.
Bem, nem tanto assim.
Oops!

. . .


O que eu diria a Sócrates (nem tão juvenil)

Diga que sou má, e eu não poderei bradar: calúnia!
"Somos todos bons e maus" é o que eu uso para me defender, e consolar. Mas eu sei que a maldade está em mim, como uma serpente em minha espinha, que do cóccix estende-se até o cérebro.

Há os que fazem o mal achando que é o bem. Eles não têm consciência de suas maldades. Julgam-se donos da verdade; seres superiores.
Há aqueles que sabem do mal que causam, sabem distinguir o certo e o errado, mesmo assim se orgulham da maldade; têm prazer.
Eu, como pode ver, sei da minha maldade. Mas não me orgulho dela. Quando ela atinge alguém, eu me arrependo, me culpo. Só que, patológica e normalmente, a maldade não vaza de mim; eu a aprisiono. Serpente aprisionada que quando acorda faminta começa a me consumir.

Dizem que o mal que a gente faz, volta. Em mim, a rotina é que ele nem sai; fica como um ácido corroendo-me a carne. É meu câncer.

A consciência é que me segura, que doma a serpente. Mas como sou impulsiva, nunca devo ter um revólver. Se, em um dia passado, eu tivesse uma arma na mão, talvez eu já teria matado um homem. Apenas talvez.

(Caso eu venha a ser suspeita de um crime, poderão usar este texto contra mim. Alto lá! Isso não prova nada! Investiguem direito! Não culpem-me pelo que não fiz! Não sou só maldade.)

por meg às 02:46

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Quinta-feira, Julho 21, 2005
Quando fomos gatos

Estou do lado de fora e vou subir a escada que leva à varanda do teu quarto.

Já é meia-noite, a cidade está bem silenciosa. Apenas um ou outro carro passa na rua. Mas teus vizinhos do andar de baixo ainda estão acordados. Devem estar na sala vendo tv. A luz da cozinha ainda está acesa.

Começo a subir devagar, tentando os passos mais suaves que consigo. Sinto-me um gato, andando às escondidas no meio da noite. Nunca vivi um momento como este, tendo que me esconder e com um perigo tão iminente de ser descoberta, porém confiante em meus poderes felinos. Se alguém vier para a cozinha, ainda verá minhas pernas, pela janela.

Pensas que gosto disso?, que acho excitante? Não. Muito mais excitante seria entrar pela porta da frente, cumprimentar teus amigos, atravessar a sala, entrar em teu quarto e fechar a porta, deixando-os com suas imaginações.

Venci a escada. Agora é só deslizar a porta de vidro que deixaste destrancada para mim, afastar a cortina e entrar. O quarto está à meia-luz, com a iluminação amarelada e aconchegante do pequeno abajur. Você dorme. Demorei, né? Desculpe! Estava me arrumando pra você. Tiro a sandália, o vestido, o sutiã, a calcinha, e deito em cima de ti, meu querido!

por meg às 03:13

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Sexta-feira, Julho 01, 2005

EDUCAÇÃO

é a única forma de melhora concreta e permanente para nosso país.
não precisa ser com a rigidez do sistema koreano, onde algumas crianças estudam 12h/dia, mas é inadmissível que um professor seja ameassado de morte pelos alunos.
só com boa educação se constroe um cidadão de bom caráter.

não trate uma criança a tapas, tampouco atenda-lhe todas as vontades. diga Não, mesmo podendo dizer Sim, para que ela aprenda o valor do teu trabalho. dê um abraço, para que ela aprenda a te abraçar.

"Dê um bom exemplo;
essa onda pega."
Se der um mau exemplo,
essa onda também pega!

por meg às 04:12

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Sexta-feira, Junho 10, 2005
Sim, eu tenho o que mereço. Desde que parei de ser dependente financeira de meu pai, eu tenho total controle e responsabilidade sobre minha vida. Há momentos em que é preciso adaptar-se à convivência em família, respeitar a civilidade mas, em momentos decisivos, ninguém me obrigou a nada. Eu escolhi. Eu agi de um jeito ou de outro, ou fiquei parada.
Se quero mais e melhor, tenho que ser mais e melhor. Se sou como antes, mereço como antes.

Houve um momento em que eu tive que escolher entre dois caminhos. Mesmo querendo ir para um lado, fui para o outro, preocupada com o que os outros iriam pensar e falar. Não queria magoar os outros, mas magoei a mim. Não, não foi altruísmo, foi covardia. Ninguém a quem eu não queria magoar sofreria relevantes conseqüências da minha escolha. Eu me arrependi, e isso sim acabou refletindo nas mesmas pessoas com as quais eu me preocupava. Eu não fiquei feliz e eles também não.

Ou seja, cuide de sua vida! Não deixe nas mãos dos outros.

por meg às 00:35

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Quinta-feira, Junho 09, 2005
~ ~ Dia dos namorados ~ ~

Semana pré-dia-dos-namorados: 1) um casal se beija descaradamente durante longuíssimos segundos na televisão bem na sua frente; 2) imagens românticas com frases românticas tudo romântico tudo lindinho ahhh o amor!; 3) os casais pipocam nas ruas, nessa época do ano parece que eles se multiplicam em todos os locais públicos!

Eu tô reclamando? Nãaao.

Mas, 28 anos, e nunca, em tempo algum, nunquinha-nunquinha, eu passei um dia dos namorados com namorado.
Isso faz mal pra uma pessoa!!

humpf!

por meg às 03:29

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eu e você,
o mesmo,
diferente,
eu e você,
sempre.

(Ele)

. . .


Não há ninguém a quem eu queira
neste momento ao meu lado
mais do que a ti
Já troquei de pele mil vezes
mas tuas impressões permanecem em mim
Não te esqueço
Não te deixo
Não tem fim

(Ela)

por meg às 00:55

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Quarta-feira, Junho 08, 2005
Ele

Por que ele faz isso?
Não me ama, né? É só sexo.
Mas também não parece que seja só sexo!

Tá. Eu sei que a gente sempre tem uma desculpa pra justificar nossas ilusões; que quando estamos apaixonadas, o homem pode dizer, toda sexta-feira à noite, que vai chegar tarde porque está em reunião (de trabalho), e a gente acredita!

Mas eu não acho que seja só da boca pra fora quando ele diz que me ama. Apesar dele nunca ter dito "eu te amo" ou "te amo", ele já disse de outra maneira; disse: "eu consegui te amar!". Assim mesmo: "consegui". E diz como se estivesse surpreso por estar sentindo isso, como se estivesse assustado. E nem é em clima de declaração; é mais como um desabafo que se faz pra um amigo.

Ele me faz ser melhor! Ele intensifica todas as minhas virtudes! Ele me otimiza! Com ele, por eu estar com ele, eu sou boa (fico mais bondosa), sou mais gostosa (quando eu estava sozinha, ninguém olhava pra mim; agora vem um monte dar em cima!), sou mais generosa, mais atenciosa, mais paciente, mais criativa, e até melhor cozinheira!... A primeira vez que cozinhei pra ele, também foi a primeira vez que o meu arroz saiu direito! Eu sempre deixava grudento, mas naquele dia não. Ficou perfeito. É o amor, mesmo!

É... quando estamos juntos é ótimo! Mas aí ele some...

por meg às 01:24

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Terça-feira, Junho 07, 2005
Ela

Não sei o que está acontecendo comigo, rapaz! Quer dizer, até sei; acho que sei. Mas não sei é como que isso foi acontecer!
Logo eu, que sempre tive um monte de mulher de tudo quanto é tipo, comi todas que eu quis e nunca me deu vontade de repetir mais que 3 vezes, por mais gostosa que fosse, logo eu, tô aqui, tarado na mesma mulher há meses! Não sei o que essa mulher tem que me deixou assim! Parece feitiço! É. Parece que eu tô enfeitiçado. Será que é isso? Será que ela fez essas simpatias pra prender homem? Se fez, tá funcionando. Ô!...
Ela é demais, cara! Sabe aquela pessoa que combina em tudo contigo? A gente conversa, ajuda um ao outro, ela é inteligente, independente, simpática e ainda é bonita pra caralho! E na cama?! Eu nunca imaginei que pudesse ser tão bom! Achava que eu já tinha conhecido o máximo do prazer, que ia mudar o repertório, mudar de mulher, mas o nível máximo de prazer eu já tinha atingido, e daquilo não passava.
Passou. Com ela passou! Não sei o que ela tem. A gente não faz nada de excepcional, mas com ela é diferente. Ela é diferente! Ela me deixa louco!
Às vezes eu penso que é melhor largar dela, que não é bom ficar tanto tempo fissurado na mesma mulher, aí eu fico sem procurar, não ligo, mas dá uma saudade... eu não agüento! Vou atrás dela. E cada vez ela me surpreende, e eu me apaixono mais ainda.
Ô mulher!

[continuará - pelo menos é a intenção!]

por meg às 04:15

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Segunda-feira, Junho 06, 2005

Preciso aprender a ser dois.

. . .


O folgado nunca vai reclamar: "tá bom demais!".
(Içami Tiba)

por meg às 01:06

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Sexta-feira, Maio 27, 2005




Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia




atormentada e apaixonada, disso eu já sabia. só não sabia que era a Camille. peguei isso na Áurea (www.gatosemolho.blogger.com.br), e veja só: somos do mesmo signo e somos Camille.

por meg às 02:54

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Domingo, Maio 15, 2005
Do que ainda resta

Aos cinco, cheguei na casa da terra nova, e vi que as coisas não eram tão diferentes: "Ih! O armário é igual o de casa!.. Ahh! Essa mesa também!"

Não sabia que os móveis também saiam de mudança, e que eles haviam viajado antes de mim.

. . .


Na escolinha, eu, pulando nas bóias de gás, gostava de pular bem alto até que minha saia azul plisada levantasse e aparecesse minha calcinha; se não levantava, eu dava umas levantadinhas com as mãos.

Por que uma criança de seis anos queria se exibir daquele jeito?

por meg às 01:57

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Sexta-feira, Maio 13, 2005
sou a mão que segura a espada que agora atravessa teu coração.
eu não queria,
mas uma espada não se disfarça.

por meg às 23:49

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Quarta-feira, Maio 04, 2005
Maria põe toda sua força para manter fechada a porta da área de serviço; os braços tensionados, as mãos espalmadas próximas à maçaneta, o corpo inclinado para frente e os pés encostados na parede oposta para não escorregar.
Do outro lado, o pai bêbado tenta abrir a porta aos socos, berrando:
- Maria! Maria!

Toda vez que o pai volta da rua bêbado, ele mija em qualquer lugar da casa, menos no vaso sanitário. Ele já mijava na sala, quando Maria gritou:
- Pai, acorda!
- Hã...?
- Olha o que o pai tá fazendo!
- Sua idiota! Quem você pensa que é pra gritar assim comigo?! Você tem que me respeitar! Vem aqui Maria! Maria!

Se a porta abrir, Maria levará a pior surra da vida.

por meg às 00:39

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Segunda-feira, Maio 02, 2005
ressentimento

irás me buscar em toda mulher.
nestes lábios, não encontrarás meu beijo
desta boca, não te explorará minha língua
nestes olhos, não verás a entrega

ninguém irá te segurar como eu
com força e delicadeza, na medida certa
meus carinhos, nunca por outras mãos
café na cama, jamais outro tão bom

fui a melhor chance da tua vida
e você deixou passar
por que você fez isso?, idiota!

você perdeu
você perdeu
azar o teu.

. . .

[o ressentido é quem mais sofre com o próprio veneno]

por meg às 01:34

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